quarta-feira, 26 de março de 2014

Remoinhos de Fogo. Como se formam?

Por: Emanuel Oliveira

Os remoinhos de fogo, também conhecidos por demónios de fogo, "tornados de fogo" (em inglês firenadoes), são turbilhões provocados quando as condições de calor e de vento turbulento são intensos, os quais combinando-se, giram entre si, formando remoinhos de ar.


Segundo o professor de ciências atmosféricas Mark Wysocki, a definição mais apropriada a este fenómeno é de “remoinho de fogo” uma vez que se assemelha aos pequenos remoinhos de pó e areia que se formam na Primavera. Um “remoinho de fogo” produz-se quando uma determinada zona da superfície queimada extremamente quente devido ao incêndio recente expulsa uma coluna de ar quente para o céu. Estas colunas formam-se numa zona muito pequena da área e começam a elevar-se, aspirando o ar ao seu redor, então produz-se este remoinho que lembra um vórtice. Assim que a coluna começa a elevar-se, agrega o fogo encolhendo-se para cima, girando e acelerando sobre si mesma.
Evolução de um Remoinho de Fogo
Fonte: Michael Umscheid. NOAA/NWS, Weather Forecast Office, Dodge City, KS
Para que se produza um remoinho de fogo é necessária uma fonte de fogo que geralmente está associada a um incêndio florestal ou a uma queima prescrita e dentro de determinadas condições idóneas. Normalmente ocorrem quando a temperatura é muito elevada e a humidade do ar muito baixa. Devido às altas temperaturas geradas pelo fogo, resultam correntes de ar ascendentes que se dão em determinadas condições e gradualmente criam um vórtice vertical. Se o vórtice aumentar de intensidade e estabilizar cria um pequeno remoinho que aspira as chamas para cima. Desta forma veremos como uma coluna de fogo em movimento girando sobre si que se ergue do incêndio.



O típico vórtice de um remoinho de fogo pode ter entre 0,30 a 0,91 metros de largura e 15 a 30 m de altura e duram uns escassos minutos. Sob condições óptimas , num grande incêndio, os remoinhos podem formar verdadeiros “tornados” com várias dezenas de metros de largura e mais de 1 km de altura, gerando ventos superiores a 160 km/h e durarem mais de 20 minutos. A temperatura no seu interior pode atingir cerca de 1090 ºC, sendo o suficientemente quente para reacender as cinzas aspiradas do solo. Frequentemente, os remoinhos de fogo dão-se quando um incêndio ou uma tempestade de fogo cria o seu próprio vento, ou seja é necessário ter este grau gravidade no incêndio para ter esta convecção. Este tipo de remoinhos de fogo pode arrancar árvores até 15 metros de altura e pode proporcionar a propagação do incêndio por focos secundários, projectando materiais em combustão tais como porções das árvores e cascas que podem ser arrastados pelos ventos mais fortes em altitude. Os gases combustíveis ricos em carbono libertados pela queima da vegetação são o combustível essencial para a maioria dos remoinhos de fogo.

Se temos um incêndio maior e potente, necessariamente haverá mais convecção, mais ar quente em ascensão e mais ar a entrar e a preencher o espaço deixado pelo ar quente em ascensão.

Classificação dos Remoinhos de Fogo

  • Tipo 1: estável e centrado na área do incêndio.
  • Tipo 2: estável ou transitório, a favor do vento da zona do incêndio.
  • Tipo 3: mantém-se activo ou transitório, centrado sobre uma área aberta adjacente à área de combustão assimétrica com o vento.
Remoinhos de Fogo que ficaram na história



Nos incêndios florestais da Austrália, em 2003, um “tornado de fogo” ocorreu na região de Camberra, tendo um diâmetro de cerca de 500 metros, com ventos superiores a 250 km/h, ou seja o equivalente a um tornado F3 na escala de Fujita, para além do fogo destrutivo gerado.

Existem evidências que em 1923 na região de Hifukusho-Ato, no Japão, derivado de uma tempestade de fogo ocorreu um “tornado de fogo” gigantesco, do tipo F3 que matou 38 000 pessoas em 15 minutos.

Igualmente, em 1927 na região de San Luis Obispo, na Califórnia, existem registos de milhares de remoinhos de fogo que se produziram por quatro dias de tempestade de fogo.

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