segunda-feira, 24 de março de 2014

A Cor do EPI do Combatente Florestal

Por: Emanuel de Oliveira

Fonte: bombeirosparasempre.blogspot.pt/
O Despacho n.º 3974/2013 da Autoridade Nacional de Proteção Civil estabelece o Regulamento de especificações técnicas de veículos e equipamentos operacionais dos Corpos de Bombeiros, o qual através da Ficha Técnica n.º 10: Equipamento de Incêndios em Espaços Naturais, define que «Os equipamentos de incêndios florestais, são equipamentos de primeira intervenção utilizados no combate a incêndios florestais.».

Mais concretamente, a Ficha Técnica determina que o Fato de Proteção Florestal (Calça e Dólmen) é um «Equipamento a ser utilizado no combate ao incêndio em espaços naturais que confere proteção ao corpo do utilizador, com exceção da cabeça, mãos e pés, sem reduzir/prejudicar os movimentos, cumprindo todos os requisitos da NP EN 15614:2009 (nível II)…Constituído por calça e casaco, tipo fardamento 3 (…)».

Ora, o que é isto do tipo fardamento 3?

O Regulamento dos Uniformes dos Bombeiros publicado na Portaria n.º 1314/2001 de 24 de Novembro, estabelece que a farda nº 3, habitualmente usada nos incêndios florestais seja de cor AZUL e VERMELHA, conforme o Artigo 14.º «As calças do uniforme n.º 3, conforme figura n.º 2.10, são de tecido de cor azul-escura,…», e o ponto 1 do Artigo 25.º que estabelece «O casaco do uniforme n.º 3, conforme figura n.º 2.21, é de tecido de cor vermelha, …».

Porquê destacar a cor do EPI? Qual é a importância da cor do EPI Florestal?

Se por um lado valorizamos as especificidades físico-químicas dos tecidos usados no EPI e a sua resistência térmica ao calor e à chama, ou especificidades relativas ao conforto, não podemos de forma alguma subvalorizar a cor do EPI e a sua relação com o conforto térmico desejável e a essencial visibilidade. Todos os aspectos devem ser equacionados por forma a garantir um incremento da segurança do combatente.

Equipa de Extinção de Incêndios de Murcia.
EPI Verde e Amarelo de Alta Visibilidade
No combate aos incêndios florestais importa proporcionar aos combatentes uma sensação térmica o menos stressante possível, mediante a adopção de EPI’s apropriados. O conforto térmico dos combatentes é pois um factor determinante na segurança e no rendimento do dispositivo. Contudo o conforto térmico do combatente pode ver-se afectado pela cor do EPI – característica que não é valorizada no seu desenho.

Um estudo realizado em 2007 por um conjunto de organismos espanhóis (FOREX, Formación y Extinción; Grupo de Física de la Atmósfera do Centro Andaluz de Medio Ambiente-CEAMA, e Unidad de Acústica Física y Ambiental-UAFA do Departamento de Física Aplicada da Facultad de Ciencias, Universidad de Granada) apresentou umas conclusões interessantes sobre o uso das cores dos EPI’s de Combate a Incêndios Florestais. Este estudo permitiu contribuir no sentido de determinar a influência das cores na temperatura corporal do combatente e nos golpes de calor, insolações ou desidratação através da proposta de uma cor para os EPI’s que cumpra com os factores essenciais de visibilidade e capacidade de proporcionar um melhor conforto térmico.

Equipa de Extinção de Itália. EPI de Cor Laranja e
Capacetes Brancos e Amarelos
As provas realizadas aos diferentes tecidos, todos com a mesma composição e nas mesmas condições, demonstraram que a cor AZUL surge como a menos recomendável desde o ponto de vista de gerar conforto térmico em condições normais de uso. A sua capacidade para absorver a radiação solar é muito alta e gera por isso elevadas temperaturas quer na parte exterior do tecido quer no seu interior.
O estudo permitiu concluir que as cores AMARELA, LARANJA e VERDE proporcionam uma temperatura corporal muito menor que o AZUL.

Por outro lado, diversos estudos permitiram demonstrar que o AZUL e o VERMELHO são cores que no espaço natural/florestal em condições de incêndio apresentam baixa visibilidade, pelo que acarretam um aumento do risco nos incêndios florestais, principalmente em combate apoiado com meio aéreo. Daí que desde os Estados Unidos, Austrália, África do Sul e a maioria dos países da Europa, adoptaram as cores AMARELO e/ou VERDE para os EPI's das equipas de combate a incêndios florestais, inclusive os capacetes e, a opção da cor em nada está relacionado com os organismos ou funções das equipas de combate – o único objectivo é AUMENTAR A SEGURANÇA DO COMBATENTE.

Referências: Melfi, Linari; Manzano, Vida; Vicente, Fernández; Salazar, Vidal; Ríos, Chirosa; Arboledas, Alados; Reyes, Olmo; Moreno, Foyo;  Influencia del color de los EPIS (Equipos de protección individual) en el confort térmico de los especialistas en prevención y extinción de incendios forestales, bomberos y personal de emergencias. Wildfire 2007, Sevilla – España.

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