FOGOS FLORESTAIS

UMA ABORDAGEM OPERACIONAL, TÉCNICA E POLÍTICA

O FOGO

UM BOM CRIADO, UM MAU PATRÃO

FOGO CONTROLADO

UMA FERRAMENTA ESSENCIAL NA PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS

INCÊNDIOS FLORESTAIS

NÃO SE PODE PROTEGER ALGO QUE NÃO SE VALORIZA

FORMAÇÃO E PROFISSIONALISMO

É ESSENCIAL TRABALHAR COM O FOGO PARA ENTENDER O SEU COMPORTAMENTO NO COMBATE

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Seia recebeu Curso de Analista de Incêndios Florestais da EIMFOR

Por: Artur Costa
Comandante Operacional Municipal de Seia

Entre os dias 18 e 21 de Janeiro decorreu no Centro Municipal de Proteção Civil de Seia, situado no Aeródromo Serra da Estrela, um curso de Analista de Incêndios Florestais, ministrado pela empresa espanhola EIMFOR – Entrenamiento e Información Forestal, S.L.
Foto 1 - Centro Municipal de Proteção Civil de Seia. Foto: Artur Costa
Este curso resultou de uma iniciativa conjunta de técnicos, na sua grande maioria técnicos florestais das autarquias, que, buscando aumentar as suas capacidades para interpretar, prever e antecipar os fatores que influenciam o comportamento de um incêndio florestal, encontraram junto da EIMFOR a melhor forma de o conseguir, dada a reconhecida experiência e capacidade formativa na área dos incêndios florestais, tanto na vertente de análise como na planificação da extinção.
Foto 2 - Formador da EIMFOR. Foto: Artur Costa
O conteúdo programático do curso, que versou a Análise de Incêndios Florestais, incluiu temas como o comportamento do fogo, a tipificação dos incêndios florestais, o Sistema de Predição de Campbell, o suporte operacional da meteorologia nos incêndios florestais, o interface urbano-florestal, o papel do analista de incêndios, a elaboração de relatórios, os planos de extinção e a segurança nos incêndios florestais, finalizando com diversos exercícios práticos recorrendo ao histórico de incêndios florestais ocorridos em vários locais do globo, totalizando 32 horas em regime presencial.
Foto 3 - Ação em Sala. Foto: Artur Costa
Os vinte e cinco técnicos que frequentaram esta formação, oriundos de diversas autarquias (Águeda, Braga, Bragança, Cantanhede, Chaves, Felgueiras, Fornos de Algodres, Freixo de Espada à Cinta, Gouveia, Manteigas, Mogadouro, Murça, Oliveira do Hospital, Paredes, Penafiel, Santo Tirso, Seia, Valongo, Vila Nova de Gaia e Vimioso), bem como do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, manifestaram, no final da formação, o seu agrado pelos conhecimentos adquiridos, sentindo-se dotados de novas capacidades não apenas para apoiar como analistas os comandantes das operações de socorro e as células de planeamento e operações em cenário de incêndios florestais, mas igualmente para desenvolver estratégias e planificar de forma eficaz e segura as redes de DFCI, e a sua utilização pelos bombeiros e restante dispositivo de combate durante as operações de extinção de incêndios florestais.

No dia 22 de Janeiro, estava prevista uma ação de fogo controlado, com o objetivo de executar algumas parcelas previstas em planos de fogo controlado no concelho de Seia pelos técnicos credenciados que frequentaram o curso e demonstrar a técnica aos restantes, mas, dadas as condições meteorológicas desfavoráveis, essa ação foi adiada para data a definir.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Os Grandes Incêndios Florestais e a sua recorrência no Alto Minho


Analisando os dados estatísticos é importante entender como evoluíram os Grandes Incêndios Florestais ao longo destes últimos 15 anos no território do Alto Minho.
Gráfico 1 - Distribuição do Nº de GIFs por Ano e Classes de Extensão, 1975 - 2013. Fonte/Dados: ICNF (Clicar na imagem para visualizar)
Facilmente percebemos que a partir de 1989 surgem com maior representatividade os GIF's com mais de 500 hectares e menos de 1000 hectares de área ardida, sendo recorrentes em intervalos de 5 a 10 anos; em 1998, surgem os primeios GIF's com mais de 1 000  hectares, os quais segundo os dados oficais do ICNF, tornaram-se recorrentes na paisagem alto-minhota, com intervalos de 3 a 5 anos.

Os últimos 15 anos coincidem com um importante e necessário incremento dos meios e recursos como forma de resposta para reverter a sua ocorrência. Porém, o esforço foi em vão, tendo em conta que a redução dos GIF's implica uma intervenção a uma escala do consumo potencial de um GIF (intermunicipal), intervindo nos pontos de multiplicação da propagação, na criação de oportunidades ao combate e essencialmente na redução da elevada carga de combustível, mediante a criação de mosaicos com o fim de promover a heterogeneização da paisagem, em vez de uma aposta em pequenas e isoladas intervenções. O trabalho de prevenção obriga a uma implementação transversal de medidas e ações devidamente estruturadas, dimensionadas e de fácil manutenção, onde a complementariedade deverá ser um objetivo a considerar.

Antes de mais, importa entender que um GIF define-se tecnicamente, quando um incêndio apresenta um comportamento de fogo que ultrapassa a capacidade extinção, normalmente apresentando os seguintes critérios:

  1. Comprimento de chama superior a 3,0 metros;
  2. Velocidade de propagação superior a 1 - 2 km/hora;
  3. Atividade de fogo de copas. (UT GRAF, 2011)

Em Portugal, para além destes parâmetros, considera-se como um GIF um incêndio que ultrapasse uma área queimada igual ou superior a 100 hectares. No entanto, em muitos casos de GIF’s no Alto Minho, estes parâmetros técnicos referentes ao comportamento do fogo não se apresentam no incêndio ainda que a área ardida supere o limite que o classifica como GIF. Isto deve-se, por um lado a que a capacidade de extinção não só depende do comportamento do fogo, mas também do número e tipo de meios e recursos existentes para uma resposta mais eficaz e eficiente para a extinção. 

Igualmente, não nos podemos esquecer que existe um problema grave de simultaneidade de incêndios que esgota qualquer dispositivo de extinção quando se ultrapassa o limite. Esta situação agrava-se quando se produz uma diminuição dos recursos humanos que sustentam um dispositivo de extinção baseado na disponibilidade do sistema de voluntariado.

Por outro lado identifica-se, com base no seguimento dos Grandes Incêndios Florestais no território, comprovando-se pelos seus perímetros finais, uma cultura do uso do fogo na extinção com o fim de executar queimas ancoradas em caminhos, cujos perímetros são os mesmos de anos anteriores, de outros GIF’s cujas manobras são repetitivas e assumindo o risco de ampliação dos respetivos perímetros. Esta situação resulta de dois aspetos: a) os recursos são insuficientes para garantir a melhor resposta para a extinção, logo o dispositivo encontra-se debaixo da capacidade de extinção; 2) e existe um uso popular do fogo, dificilmente controlável, como recurso de autoproteção de bens que conduz à ampliação dos perímetros e à simultaneidade.
Imagem 1 - GIF de Cabração (1048 ha) - Município de Ponte de Lima. Fogo de superfície com Intensidade baixa a moderada e baixa severidade. Foto: Emanuel Oliveira, 2015
Os últimos 15 anos apresentam um significativo aumento da frequência dos grandes incêndios florestais, os quais tendem a ampliar as suas áreas ardidas, resultado da superação da capacidade de extinção. Ao contrário do que ocorre em alguns pontos do território ibérico que após a passagem de um GIF os ecossistemas ou têm dificuldade e tardam a recuperar-se ou ficam incapacitados, no território do Alto Minho a recuperação é elevada devido à adaptação das espécies ao fogo (Tojo, Urzes, entre outras) e também as invasoras exóticas pirofitas (Acacea sp. e Hakea sericea) que aproveitam as características climáticas típicas, marcadas por altas precipitações, elevada insolação, sem temperaturas extremas para facilmente regenerarem-se aproveitando a incorporação de fosfatos no solo imediatamente pós-incêndio e cobrindo rapidamente o solo, o que ajuda a combater a erosão e perda de solo em terrenos do tipo esquelético e com declives muito acentuados e íngremes.

Imagem 2 - Os GIFs em 2015 percorreram quase de forma cirurgica antigos perímetros de GIF's ocorridos em 2005 e 2010, onde encontraram um mesmo modelo de combustível, uma paisagem homogénea.

A melhoria dos conhecimentos técnicos, dos meios e da organização operacional no combate aos incêndios florestais não produziu efeitos para evitar a propagação e a frequência dos grandes incêndios florestais. Sendo assim é importante que a sociedade se encontre informada sobre o risco, ainda que não signifique que saiba defender-se frente à ocorrência de um incêndio e, muito menos, frente a um GIF.

O problema dos GIF’s é que o paradigma dos incêndios florestais mudou ao mesmo ritmo que as mudanças na dinâmica espacial e com os episódios repentinos resultantes da acelerada mudança climática. Fazer frente aos GIF’s obrigará a uma mudança do paradigma da prevenção e do combate.

Mais Informação:

Oliveira, Emanuel; 2015. "La Prevención a la Escala del Paisaje para hacer frente a los Grandes Incendios Forestales. Análisis en el Alto Minho. Portugal"; Universidad Politécnica de Madrid 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

2015 foi o ano mais quente ao nível mundial - e 2016 poderá ser ainda mais quente

Traduzido por: Emanuel Oliveira

Emily J. Gertz é uma editora associada para o ambiente e a vida selvagem no TakePart
Fonte: TakePart ; 20 de janeiro de 2016


Os cientistas dizem que os recordes de altas temperaturas são um sinal claro de que a mudança climática está a acelerar-se.

Este artigo chama a atenção para o aumento da temperatura média para valores recorde em 2015 e o risco de continuar a aumentar neste ano de 2016. Caso se verifique, quer os efeitos do fenómeno El Niño associado a este aquecimento global, bem como a redução da pluviometria anual, poderemos enfrentar uma época de incêndios muito difícil, quer pelo prologamento do período quer pela complexidade derivada do estado fenológico dos combustíveis florestais. A questão que nos colocamos é: Estamos Preparados!?

Temperaturas excepcionalmente quentes, causadas pelas alterações climáticas, ajudaram a impulsionar uma quase recorde temporada de incêndio no Alasca em 2015. (Foto: Mat-Su Borough / Stefan Hinman / Reuters)
Cientistas de duas agências do governo (EUA) confirmaram nesta quarta-feira que as temperaturas médias globais em 2015 foram as mais elevadas em 136 anos de registos e, é provável que o planeta venha a registar mais do mesmo em 2016.

A razão, destacou o climatologista da NASA Gavin Schmidt, é que o excesso de dióxido de carbono, criado pela desflorestação e a queima de combustíveis fósseis para a energia, retém o calor na atmosfera. «Esta tendência ao longo do tempo é a razão pela qual tivemos um ano quente recorde», Schmidt, diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da NASA, disse aos jornalistas na quarta-feira: «Não há nenhuma indicação de que essa tendência diminuiu, fez uma pausa, ou "hiatos" nas últimas décadas

A maior parte do aquecimento resultante tem acontecido ao longo dos últimos 35 anos, e 15 dos 16 anos mais quentes registados ocorreram desde 2001, de acordo com a NASA.

No conjunto, a média das temperaturas do oceano e da superfície terrestre do planeta em 2015 foi de 1,62 grau Fahrenheit, acima da média do século XX e um quarto de grau Fahrenheit mais quentes do que em 2014, disse Thomas R. Karl, diretor do Centro de Informação Ambiental  da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration).

Foi um elevado aumento ano-a-ano quebrando recordes nas temperaturas globais, disse ele.

Tanto Schmidt como Karl destacaram que o aumento das emissões de gases de efeito estufa é responsável pelas temperaturas recordes, independente dos ciclos meteorológicos, tais como a tendência de aquecimento atual no Pacífico Central.

«O interessante é que 2015 não começou com o evento El Niño no Pacífico Tropical», disse Schmidt, mas ainda mostrou temperaturas anormalmente elevadas desde o início. «Mesmo sem El Niño, este teria sido o ano mais quente já registado.»

RELACIONADOS: Mudança climática: O Futuro Advertimos Aqui

Uma vez que o ciclo de El Niño começou a afetar a temperatura depois de meados do ano "outubro, novembro e dezembro registaram anomalias quentes por cada mês registado", acrescentou.
Schmidt ressaltou que, embora a mudança climática não pode ser relacionada com todos os eventos meteorológicos extremos, está firmemente ligada às ondas de calor severas, perda de gelo do mar Ártico, aumento dos níveis do mar e do degelo de glaciares ao redor do mundo. «Vamos esperar que isso continue em 2016», disse ele, «como o aquecimento global continuará

Agora que um El Niño particularmente forte – combinado com o aquecimento – tende a estar a caminho, Karl e Schmidt disseram que, os cientistas acreditam que poderia combinar-se com as temperaturas elevadas da superfície do mar de 2015 para tornar 2016 um ano quente recorde.

Se isso acontecer, será a primeira vez em 136 anos – ano em que se quebrarão três recordes de anos quentes ocorridos consecutivamente.

O ano passado marcou a primeira vez na história que as temperaturas médias da superfície terrestre e do mar subiram 1,8 graus centígrados, ou um grau Celsius completo, mais além daqueles do século 19, de acordo com a análise da NASA e da NOAA.

Os líderes mundiais concordaram em dezembro, na cimeira de Paris, para a manutenção do aumento da temperatura em 2 graus Celsius.

«O que vamos ver é cada vez mais e mais nítidos impactos de como o clima aquece», disse Schmidt.

«Estamos numa trajetória que devido a que o ciclo do carbono está longe do equilíbrio neste momento, não pode ser revertido facilmente

Enquanto algumas investigações sobre o clima indicam que um corte de 80 por cento nas emissões de carbono até 2050 poderiam estabilizar o clima, não há nenhuma evidência até agora de que o mundo, como um todo, possa encontrar a vontade para que isso aconteça, referiu Schmidt. Cabe aos «decisores políticos e da sociedade», acrescentou, «para decidir o que fazer com essa informação.»

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Os centros de investigação aportam ao mundo operacional uma visão crítica e objetiva da problemática dos incêndios

Fonte: Bloc de CTFC
Traduzido por Emanuel Oliveira

Devido à importância da entrevista do companheiro e grande técnico Marc Castellnou, considero importante para Portugal os diversos pontos focados no presente artigo que se traduziu para um melhor entendimento. Marc toca vários pontos, quer na área da investigação dos incêndios florestais e na gestão florestal quer na área operacional do combate, temas estes que devemos considerar para o nosso território com vista a aplicar medidas e ações semelhantes, com o fim de estarmos mais preparados para futuros incêndios cada vez maiores e mais agressivos. Sublinho que Marc Castellnou dirige-se concretamente ao território da Catalunha, cujas características mediterrânicas possuem grandes diferenças quando comparadas com o território português fortemente influenciado pelo clima atlântico, onde a mudança climática será mais notável. Por outro lado destaco que Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer quer no estudo e investigação dos incêndios e do seu regime, quer no trabalho conjunto entre os centros de investigação, técnicos e operacionais, bem como a necessária integração dos responsáveis políticos para tomadas de decisão conjuntas na definição de medidas e ações concretas e operacionais para fazer frente aos Grandes Incêndios Florestais.

Marc Castellnou é Inspetor Chefe da Unidade Técnica GRAF (Grupo de Apoio de Actuações Florestais) e Presidente da Pau Costa Foundation. Engenheiro Florestal, desde 1999 exerce funções como analista de incêndios no Corpo de Bombeiros profissionais da Generalitat da Catalunha. Tem participado em diversos projetos europeus nos campos da modelização dos combustíveis, ecologia do fogo e gestão de incêndios. Tem publicado livros e artigos em revistas internacionais, além de numerosas palestras em congressos internacionais e cursos especializados.
Marc Castellnou
Que tipologias de incêndios podem ter as paisagens da Catalunha? Que aporta o estudo publicado recentemente?

Os incêndios florestais da Catalunha classificamo-los em três grandes grupos que são os topográficos, de vento e convectivos. Dentro destes grandes grupos encontramos até 14 subfamílias. Esta é a forma em que, a partir de 2002-2003, começamos a trabalhar com os padrões de propagação de incêndios para se poder desenhar estratégias diferentes. No início era uma classificação operacional que nos permitia diferenciar o tipo de incêndios e portanto não aplicar uma única solução para todos, mas antes aplicar uma solução mais adaptada a cada tipo de incêndio. Isto permitiu-nos esta mudança de 10 000 ha/dia para 1 000 – 2 000 ha/dia perdidos. Assim, utilizamos uma aproximação qualitativa para uma problemática operacional. Por sinal, o estudo que recentemente publicamos mostra números e é a primeira aproximação quantitativa a esta forma de pensar. Portanto, é um modo de tornar público todo este conhecimento e dar ferramentas para desenhar uma paisagem resiliente ao tipo de incêndio que a afeta. O estudo aporta e publica este conhecimento e permite enfrentar a problemática dos incêndios desde um ponto de vista muito mais realista em relação ao que tínhamos até agora que era simplesmente do ponto de vista do medo: fazer gestão reativa por partes para que não se queime tudo. Agora já podemos falar de fazer gestão de paisagens para evitar que cada tipo de incêndio nos afete a cada tipo de superfície, o que é uma grande diferença.

Que evolução dos incêndios se tem observado nos últimos anos?

Os incêndios de radiação e topográficos dos anos 60 eram incêndios que tinham por base o seu potencial na continuidade da paisagem. Nos anos 70 ganharam intensidade. São a primeira e a segunda geração de incêndios. Nos anos 80 e 90 entrou a terceira geração: ambiente de fogo e saltos de focos secundários, são os incêndios convectivos. Entre os 90 e o início do século XXI esta terceira geração entra na interface urbana e começa a entrar em simultaneidade de grandes incêndios que são os mega-incêndios. É a evolução do que chamamos de gerações de incêndios. Temos ganho em eficácia de extinção e reduzido o número de incêndios que se escapam, mas os incêndios que se escapam são cada vez mais rápidos, mais intensos, têm mais capacidade de convecção e são mais potentes. De facto, neste momento não dispomos de uma hora de tempo para atacar um incêndio antes que passe a fase convectiva, mas apenas meia hora, 20 ou 10 minutos. Isto conduz a que o incêndio não se possa atacar diretamente mas antes procurar os seus pontos fracos.
Basicamente nestes últimos 30 anos vivemos uma evolução dos incêndios com mais intensidade e, paralelamente, tivemos uma evolução do sistema de extinção para entender como funcionam os incêndios e incorporar metodologias de trabalho.

Quais são os principais fatores que podem levar a ter incêndios maiores e mais agressivos? Como crês que a gestão florestal pode ajudar na luta contra os incêndios?

O principal fator que leva a que um incêndio seja maior e mais agressivo é a acumulação de combustível morto e o nível de humidade do combustível vivo. Este fatores dependem sobretudo da densidade de pés por hectare que existe numa parcela florestal por um lado e, por outro, da quantidade de anos que essa mesma estrutura florestal está estagnada. A falta de gestão florestal e a falta de dinâmica florestal por perturbações naturais provoca estas acumulações sobre a paisagem. A única forma de quebrar a ascensão da intensidade e velocidade dos incêndios florestais é a gestão florestal para se conseguir uma ideia de paisagem que seja resiliente à perturbação. Portanto, não nos centrando apenas na gestão florestal da parcela para produzir madeira, mas antes na gestão da paisagem para produzir o mosaico de diferentes estruturas e na própria dinamização destas estruturas, como por exemplo o incêndio florestal como ferramenta de gestão desta paisagem.

Que valor aportam os Centros de Investigação Florestal (CTFC e CREAF) no mundo operacional da extinção de incêndios? E vice-versa?

Os centros de investigação aportam ao mundo operacional uma visão crítica e objetiva da problemática dos incêndios. Muitas vezes têm uma visão com pouco conhecimento do mundo real, o que os torna atrevidos e isto permite-lhes ver as coisas desde vários pontos de vista e portanto melhorar a visão que temos.
Por outro lado, ajudam-nos a responder a questões relacionadas com as nossas necessidade e nossos dados. Já estão muito longe os anos em que o mundo da investigação tentava impor uma visão ou uns modelos e, agora, existe uma capacidade de colaboração e de aportar uma visão muito mais desenvolvida e muito mais profunda. Sendo assim, contribuem para a capacidade de crescimento: os temas dos incêndios de desenho, incêndios tipo, temas de paradoxo, modelos de combustível, etc., caso contrário não poderíamos ter avançado ou não teríamos tido talvez essa capacidade de fazê-lo, sem ter por detrás o input ou a visão crítica e curiosa dos centros de investigação. No final é uma associação positiva.

Como serão os incêndios do futuro? Que impacto crês que terá a mudança climática no regime de incêndios no Mediterrâneo?

Os incêndios do futuro serão como os que temos agora mas com campanhas muito mais longas. A campanha de incêndios de 2014 não se acabou relativamente à de 2015. Tivemos incêndios desde novembro até agora e passamos a ter um risco permanente. A temperatura media em novembro é mais alta e chove a mesma quantidade, mas chove cada vez mais concentrado em momentos pontuais; a mudança climática leva a esta tendência. Por outra parte, neste momento estamos a viver o momento do clímax de incêndios florestais. Estamos num momento de mudança onde temos incêndios florestais muito graves devido a condições meteorológicas adversas e estrutura stressadas e estagnadas. Diante deste cenário de mudança climática, os incêndios florestais tornam-se mais ibéricos, uma vez que um clima mais seco ou mais árido no verão não permite tantas acumulações de combustível em forma de matos e passaremos a ter incêndios binários de estrato herbáceo e pouco mato com estratos arbóreos. Este facto seguramente levará a termos menos famílias de incêndios: das 14 que temos agora seguramente reduziremos. Portanto, eu creio que os próximos 20 anos serão muito complicados mas a situação tenderá a melhorar, não em relação ao comportamento dos incêndios mas relativamente ao regime de incêndios: teremos um regime de incêndios mais semelhante ao que pode ser o andaluz ou o aragonês.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Uma Visão dos Incêndios Florestais e do Dispositivo de Extinção no Alto Minho

Por: Emanuel Oliveira

Para entendermos melhor a problemática dos incêndios florestais no Alto Minho há que perceber que o território ocupa cerca de 221 884,2 hectares, distribuídos por 10 municípios. O espaço florestal ocupa cerca 57% deste território e este caracteriza-se pelo seu relevo montanhoso e recortado, marcadamente definido pelos vales dos rios Minho e Lima, bem como pelos pequenos vales dos seus afluentes que associados a outras variáveis físicas e de ocupação do solo são determinantes nos diversos tipos de comportamento dos incêndios florestais que percorrem esta região.
Par além das condições físicas existem também condições sociais que influenciam a ocorrência de incêndios, tais como o regime de propriedade, distribuído basicamente por propriedade comunitária (maioritariamente em co-gestão com Estado) e privada (minifundiário). Cerca de 57,3% do espaço florestal é comunitário com usos de produção florestal, pastorícia e produção pecuária extensiva e cinegética.
Foto 1 - GIF de Vila Nova de Cerveira, 08 de Agosto de 2015 (Pedro Barros)
O Alto Minho é um território de fronteira com o sul da Galiza. Ambos territórios partilham uma situação muito característica (para além da semelhança das condições físicas e ambientais) e transversalmente comum dos povos do noroeste peninsular ibérico – é um dos territórios com maior número de ocorrências/ignições e área ardida da Europa Ocidental – onde também o uso tradicional do fogo segue a ser a principal ferramenta de uma população rural muito dispersa sobre o território. Este uso tradicional parece basear-se em dois aspectos fundamentais que caracterizavam o território:

  1. O primeiro aspecto é puramente socioeconómico, pois a grande maioria da população assentava-se em comunidades rurais altamente dependentes do espaço para o desenvolvimento das suas atividade económicas interconectadas relacionadas com a agricultura, a floresta e o pastoreio.
  2. O segundo aspecto é ambiental. O clima que caracteriza esta região atlântica, com longos períodos de chuva e temperaturas médias sem valores extremos, a alta insolação, conduz a um elevado crescimento vegetativo e as espécies adaptadas apresentam um alto potencial regenerativo pós-fogo, encontrando-se estabilizadas em 3 a 4 anos e apresentando uma carga de combustível elevada. Esta situação de clima normalmente húmido e a necessidade de controlar a elevada carga de combustível, favoreceu o uso do fogo como ferramenta principal do trabalho rural com uma elevada margem de segurança por parte das populações, principalmente das comunidades de montanha.

O fogo esteve sempre presente nas nossas paisagens, mas as mudanças das últimas décadas para uma sociedade tecnológica mais informada e em princípio mais preparada perante os riscos, não parece dar resposta ao novo paradigma que constituem os Grandes Incêndios Florestais.

As mudanças sofridas no meio rural, o abandono das atividades tradicionais como a agricultura, a silvicultura e o pastoreio e o envelhecimento das populações e o despovoamento das zonas rurais têm conduzido a um espetacular incremento do índice de assilvestramento (rewild) desses espaços. Por outro lado, a crescente concentração da população em áreas urbanas não obedeceu às atuais exigências ao nível do ordenamento do território e do urbanismo face aos riscos e cenários potenciais, incrementados pelas mudanças climáticas cada vez mais presentes e com episódios de carácter extremo. O ordenamento desde o ponto de vista urbanístico assim como a citada informação e difusão do risco não convertem o espaço mais resistente frente aos grandes incêndios florestais, cada vez mais complexos.

Quando falamos de incêndios florestais no Alto Minho assim como no resto do território do noroeste ibérico, não falamos de um risco puramente natural mas de um risco antropogénico. Se por um lado assistimos a estas mudanças que permitem um aumento da carga de combustível, por outro lado mantem-se um uso do fogo pouco “tradicional”, tendo em conta que não acompanha o risco meteorológico e espacial e, praticado por uma população cada vez mais urbana que não domina o conhecimento empírico e geracional do fogo.

Por outro lado, convém salientar que em Portugal o dispositivo de extinção de incêndios florestais e restantes ações de emergência baseia-se na disponibilidade e existência de meios humanos de carácter voluntário. O grande peso da ação dos bombeiros voluntários no ataque inicial até à direção da extinção dos incêndios florestais merece uma análise para que se possa entender que os fluxos da população também vão influenciar no número de bombeiros voluntários presentes no território, assim como na capacidade de resposta nesta emergência. Todavia, salienta-se a existência de unidades profissionais, porém em número muito escasso, pouco mais de 150 elementos distribuídos por Bombeiros Profissionais, Sapadores Florestais, equipas helitrasnportadas do Grupo de Intervenção, Protecção e Socorro da Guarda Nacional Republicana e, sazonalmente, a equipa da Força Especial de Bombeiros.
Mapa 1 - Distribuição das Unidades de Extinção de Incêndios Florestais no Alto Minho
O número de bombeiros reduziu notoriamente entre 2001 e 2013, cerca de 65%. Porém convém salientar que os anos 2014 e 2015 também registaram uma redução, resultante da emigração. Tal situação e cujo dispositivo de combate aos incêndios baseado na disponibilidade dos meios humanos concentrada no verão e a dilatação de um período de incêndios que tende a prolongar-se por quase todo o ano, obriga à aplicação de medidas preventivas a uma escala temporal e espacial mais adequada e adaptada ao conjunto mudanças.
Assim assistimos a uma redução do número de bombeiros, com a agravante de se manter elevado o número de ocorrências/ignições.
Quadro 1 - Evolução do Número de Bombeiros Voluntários por Município no Alto Minho entre 2001 e 2013. Fonte Oficial: Instituto Nacional de Estatística
Os gráficos seguintes procuram demonstrar por classes de extensão dos incêndios, a concentração da área ardida e do número de ocorrências/ignições no período entre 2001 e 2014 registados no Alto Minho, segundo dados oficiais do ICNF. Verifica-se que a concentração de ocorrência e de área ardida ao longo desse período centra-se sobretudo nos meses de junho, julho, agosto e setembro.
Gráfico 1 - Distribuição do Nº de Ocorrências/Ignições acumulado por Mês e por Classe. Alto Minho 2001-2014
Comparando os gráficos da distribuição da área ardida e do número de ocorrências, constata-se que o número de ocorrências das classes com menos de 1 hectare e entre 1 e 10 hectares aumenta gradualmente para disparar naqueles meses, verificando-se este espetacular aumento e atingirem o seu máximo semanas antes de ocorrerem os GIF’s das classes de 100 a 500 hectares e superiores a 500 hectares, onde se alcança o máximo de área ardida. Cerca de 34,5% das ocorrências/ignições dão-se fora do chamado período crítico e corresponde a 18,1% da área ardida. Um dado importante é que durante o período crítico o número de ocorrências das classes com menos de 1 hectare e entre 1 e 10 hectares corresponde a cerca de 62,9% do total das ocorrências nestes 4 meses e apenas 0,6% correspondem a GIF’s ocorridos naquele período e que são responsáveis por cerca de 59% da área ardida (96 114 hectares acumulados entre junho e setembro). 
Gráfico 2 - Distribuição da Área Ardida acumulada pr Mês e por Classe. Alto Minho 2001-2014
A simultaneidade das ignições, assim como de grandes incêndios florestais levam ao colapso do dispositivo de extinção do distrito e à exaustão e falta de rendimento dos meios humanos envolvidos em primeiras intervenções, combate e posterior ação de rescaldo. Tal situação obriga a concentrar os meios em zonas habitacionais enquanto o fogo se propaga no espaço florestal e as manobras de extinção apoiam-se em caminhos e estradas e, justificadamente, sustentadas em manobras quase exclusivamente baseadas no uso de água, dado o cansaço. Com este cenário os GIF’s podem durar mais de 24 horas a vários dias, como se verificou em 2005, 2006, 2010 e recentemente em 2015.

O excessivo número de ocorrências/ignições concentrado num curto período leva a um elevado desgaste de qualquer dispositivo de extinção.

Mais Informação:

Oliveira, Emanuel; 2015. "La Prevención a la Escala del Paisaje para hacer frente a los Grandes Incendios Forestales. Análisis en el Alto Minho. Portugal"; Universidad Politécnica de Madrid 

sábado, 23 de janeiro de 2016

Queimas prescritas: uma grande ferramenta na prevenção de incêndios

Fonte: Bloc del CTFC
Traduzido por Emanuel Oliveira

A investigação sobre o uso do fogo como ferramenta de gestão florestal que se realiza no Centro Tecnológico Florestal da Catalunha (CTFC), indica a efetividade das queimas prescritas a longo prazo sem comprometer a saúde das florestas. A análise desta prática como ferramenta preventiva de incêndios florestais ajuda os gestores florestais na tomada de decisões, melhorando os planos de queima.
Queima prescrita em Solsonès. Projeto ForBurn, junho 2013. Autor: CTFC
Solsona, 21 de janeiro de 2016. Investigadores do CTFC estudaram a resposta das florestas depois de uma queima prescrita para melhorar, se se pode, a técnica e reduzir os impactos negativos derivados dela. O estudo indica que as queimas prescritas reduzem o combustível do sub-bosque sem afetar substancialmente o crescimento de determinadas espécies de pinheiros.

Uma queima prescrita consiste em aplicar fogo ao sub-bosque de forma planificada sob umas condições meteorológicas concretas pra atingir um objetivo de gestão. Apesar de ser uma prática não isenta de controvérsia, as queimas prescritas são mais uma ferramenta para controlar a acumulação de combustível no sub-bosque causada pelo abandono das atividades agrárias e florestais e reduzir a intensidade de um possível incêndios. Os estudos basearam-se em espécies importantes, não só ao nível ecológico mas também económico, uma vez que representam 60% da madeira total comercializada na Catalunha.

O pinheiro-de-Alepo, o pinheiro-larício ou o pinheiro-silvestre são espécies comuns nas florestas catalãs e europeias e são objeto de estudo de Teresa Valor, investigadora pre-doutoramento do grupo CEMFOR (Center for Mediterranean Forest Research) del CTFC. Dada que a vitalidade destas árvores após a queima é um aspeto chave a ter em conta, Valor e a sua equipa têm estudado como as queimas prescritas afetam o crescimento destas árvores segundo a tolerância ao fogo ou às características e rendimento da árvore antes da queima.

Os resultados mostram que o efeito do fogo depende da espécie, o tamanho da árvore e as características do fogo e, também, vão variando com o tempo. “Depois de uma queima podemos observar árvores com copas parcialmente queimadas e detetar uma diminuição do crescimento em relação a como deveriam de crescer sem a aplicação do fogo. No entanto, com o passar do tempo, estas árvores recuperam-se e em determinadas espécies observamos um aumento do crescimento seguramente devido a que o fogo reduziu a concorrência por recursos (água, luz e nutrientes)”, explica Valor, advertindo que “o crescimento depois do fogo é um fenómeno complexo que depende de múltiplos fatores”.

A informação proporciona um marco para estabelecer recomendações em queimas prescritas ao nível de espécies, regulando a intensidade do fogo aplicado ou a frequência entre queimas requerida, sem que para isso se altere a vitalidade das árvores.

A longo prazo, o efeito da queima prescrita segue sendo evidente.

Na hora de planificar a queima como ferramenta eficaz desde um ponto de vista económico e para a prevenção de incêndios, também resulta chave saber o que sucede a longo prazo. Neste aspeto dirigiu-se a investigação liderada por Pere Casals, também investigador do CEMFOR-CTFC que demonstra que ao fim de 8 ou 9 anos, a redução do subcoberto continua sendo evidente.

A disponibilidade de luz parece ser um factor chave nas queimas sobre o subcoberto, uma vez que a recuperação do subcoberto depois das queimas parece ser mais lenta nas florestas densas, onde a copa está fechada. Portanto, Casals e a sua equipa sugerem que para prolongar a efectividade da queima como ferramenta para a redução do combustível é necessário minimizar a lesão das copas.

Finalmente, recorda que o efeito do fogo sobre o combustível apenas incide num dos fatores chave que determina a virulência de um incêndio e que esta redução não tem nenhuma repercussão “em caso de condições extremas, quando o comportamento do fogo se rege mais pela meteorologia que pela quantidade de combustível”.

O conjunto destes estudos, publicado na revista Forest Ecology and Management, evidencia o potencial das queimas prescritas como ferramenta preventiva de incêndios, de especial interesse para a Catalunha onde, como em toda a vertente mediterrânica, existe um elevado risco de incêndios florestais.

Mais informação em:

Valor T., González-Olabarria J.R., Piqué M. (2015) Assessing the impact of prescribed burning on the growth of European Pines. Forest Ecology and Management 343:101–109

Casals P., Valor T., Besalú A., Molina-Terrén D. (2016) Understory fuel load and structure eight to nine years  after prescribed burning in Mediterranean pine forests. Forest Ecology and Management 362:156–168


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Os incêndios florestais afectam sector do vinho

Os incêndios florestais estão a destruir os vinhedos sul-africanos e contaminando as uvas.

Destaca-se a seguinte notícia no site da Bloomberg sobre como os incêndios florestais na África do Sul estão a colocar em risco a produção e a qualidade dos vinhos. Em Portugal a situação dos incêndios florestais face ao sector vitivinícola não tem suscitado ou não têm sido do conhecimento público as preocupações dos nossos produtores.

Os incêndios florestais que têm assolado durante os últimos quatro dias a principal região produtora de vinho de África do Sul têm destruído vários vinhedos, contaminando as uvas com fumo e danificando numerosos pomares.
Foto: Sullivan, em Simonsberg Fire - África do Sul * http://www.sullivanphotography.org/
"Desde terça-feira cerca de 2.800 hectares (6.919 acres) de superfície foi queimada," James-Brent Styan, porta-voz do Ministério do Ambiente na Província de Western Cape, disse por telefone nesta sexta-feira. Os incêndios já se encontram sob controlo e as áreas afetadas estão sendo monitorizadas para evitar reacendimentos, disse ele. A avaliação completa dos danos ainda não foi realizada.

África do Sul é o sétimo maior produtor de vinho do mundo e os seus maiores clientes internacionais incluem o Reino Unido, Alemanha e Holanda. O país produz uvas para vinho branco, incluindo Chenin Blanc, Chardonnay e Sauvignon Blanc, e variedades de vinho tinto que incluem Pinotage, o qual foi criado em África do Sul. Os vinhedos estão principalmente concentrados no Western Cape e a indústria emprega cerca de 300.000 pessoas.

"Cerca de 20 por cento das vinhas de Sauvignon Blanc foram queimadas e as bordaduras das nossas vinhas Chardonnay foram danificadas", afirmou Charlotte Terblanche, porta-voz da propriedade vitivinícola de Delheim em Stellenbosch, a cerca de 50 quilómetros (31 milhas) a leste da Cidade do Cabo (Cape Town). "A floresta perto de nossa propriedade foi completamente destruída."

Para além de que os incêndios provavelmente tenham um impacto significativo sobre a quantidade da colheita de uvas deste ano, parte desta pode estar contaminada pelo fumo, pelo que poderá alterar o sabor do vinho, afirmou Edo Heyns, porta-voz da Vinpro, que representa os exportadores de vinho.

, 22 de janeiro de 2016


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A Evolução dos Incêndios Florestais no Alto Minho

Por: Emanuel Oliveira

Os incêndios florestais constituem o maior risco no território do Alto Minho, sendo igualmente responsáveis pelo desencadear e incrementar outros riscos derivados e associados a alterações repentinas do solo (por ex.º: movimentos de vertente, erosão do solo, enxurradas, assoreamento dos rios e erosão costeira, proliferação de espécies invasoras) e consequentemente colocando em risco a vida de pessoas, os bens e condicionando atividades de vários sectores de importância económica na região (floresta, agricultura, pecuária, turismo, cinegética).

Os incêndios florestais não são constantes no tempo nem no espaço físico, pelo que o estudo exaustivo do seu regime deverá centrar-se na caracterização da perturbação do fogo ao longo do tempo. (Agee, 1993)
Mapa 1 - Área Ardida Acumulada entre 1975 a 2015: cerca de 280 367 hectares. Fonte/Dados: ICNF
Em apenas 40 anos o território do Alto Minho sofreu milhares de incêndios florestais que consumiram cerca de 280 mil hectares (área ardida acumulada), convertendo esta região atlântica uma das que mais arde no espaço ibérico e na Europa Ocidental. Sem antes entendermos como evoluem os incêndios florestais, a causalidade e a forma de fazer prevenção e de combater, é impossível planificar de forma eficiente e reduzir a dimensão e os efeitos dos incêndios florestais.

Analisando o período de 2001 a 2014, com base em dados oficiais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a área ardida acumulada em 14 anos foi de 117 308 hectares, o que corresponde a cerca de 89% do espaço florestal do território do Alto Minho que, segundo o Inventário Florestal Nacional de 2006 ocupa 147 291 hectares de espaço florestal (área arborizada e matos). A média do período situa-se em 8 379 hectares de área ardida anualmente.
Gráfico 1 - Distribuição Anual da Área Ardida e do Número de Ocorrências entre 2001 e 2014 no território do Alto Minho. Fonte/Dados: ICNF
A área ardida em 2005 e 2006 representou cerca de 15,5% e 9% do espaço florestal, respetivamente, determinada por 38 Grandes Incêndios Florestais (GIF's) no primeiro ano e 20 GIF’s no seguinte ano consecutivo. Passados apenas 5 anos, uma grande parte do território volta a arder por consequência de 44 GIF’s que consumiram cerca de 12% do espaço florestal do Alto Minho.

Para o mesmo período de 14 anos verifica-se um excessivo número de ocorrências. No entanto no universo de ocorrências, a larga maioria deve-se a ignições agrícolas e queimas de sobrantes, produzidos ao longo do ano.
Gráfico 2 - Distribuição Percentual da Área Ardida e do Número de Ocorrências por Classes de Extensão entre 2001 e 2014 no território do Alto Minho. Fonte/Dados: ICNF
Observando os dados, apenas focando sobre os Grandes Incêndios Florestais (GIF’s), destacam-se os anos 2010 pelo número de GIF’s e 2005 pela elevada área ardida como consequência de devastadores GIF’s. Por outro lado, os anos 2003, 2007, 2008 e 2012 apenas registaram 1 GIF e a área ardida não ultrapassou os 350 hectares em cada GIF. O ano 2010 apresenta 44 GIF’s e uma área ardida de 14 564,5 hectares, seguido do ano 2005 com 38 GIF’s e uma área ardida de 22 901,3 hectares. Os anos 2006 e 2013 apresentam igualmente valores muito elevados de GIF’s e de área percorrida pelo fogo.
Gráfico 3 - Distribuição Anual da Área Ardida e do Número de Grandes Incêndios Florestais entre 2001 e 2014 no território do Alto Minho. Fonte/Dados: ICNF
Em 14 anos o território sofreu os efeitos de 182 Grandes Incêndios Florestais, dos quais 11 GIF's consumiram mais de 1 000 hectares, 31 GIF’s consumiram áreas superiores a 500 hectares mas inferiores a 1 000 hectares e 140 GIF’s consumiram áreas menores a 500 hectares.

Segundo os dados provisórios do ICNF, o ano 2015 ficou marcado por 1 124 ocorrências responsáveis por uma área ardida total de 9 271 hectares. Porém, preocupante foi a ocorrência de 11 GIF’s que resultaram no consumo de 6 655 hectares de espaço florestal.

O real problema não são os 99,3% de ocorrências que originam incêndios florestais e fogachos (estes representam 75% do total de ocorrências), mas 0,7% das ocorrências que estão na origem dos Grandes Incêndios Florestais que são responsáveis por 64% da área ardida entre 2001 e 2014. 

Se por um lado a grande maioria das ocorrências não passam de fogachos, ou seja inferior a 1 ha e apenas 24,3% dão origem a incêndios florestais (inferiores a 100 hectares), tal situação traduz o sucesso da 1ª intervenção. Por outro lado a ínfima percentagem de ocorrências (0,7%) origina incêndios que atingem dimensões excessivas, classificados como GIF’s.

OS GIF’s são o resultado da MUDANÇA do paradigma dos incêndios florestais associados às alterações da dinâmica espacial e das mudanças climáticas, o que por sua vez obriga a uma mudança de atitude em relação a como hoje entendemos e olhamos a PREVENÇÃO, assim como o modo como os enfrentamos na ação de EXTINÇÃO.

Incêndios Florestais - Porque ardem as florestas?

Artigo de Opinião publicado no Jornal ValeMais.

A eficiência e a eficácia não se mede com o aumento do número de recursos e meios.
Os incêndios florestais são algo que nos aflige todos os verões e tudo aponta para que, no futuro, surjam, ainda, em maior número e com consequências ainda mais nefastas. 

domingo, 1 de novembro de 2015

Os Grandes Incêndios Florestais e as suas implicações na Prevenção e Combate

Por: Emanuel Oliveira

No dia 31 de outubro de 2015, decorreram as Primeiras Jornadas Técnicas promovidas pela Federação dos Bombeiros do Distrito de Viseu. Nestas jornadas tive a oportunidade de expôr um panorama que nos afectará a todos futuramente no Sul da Europa e, em particular, Portugal. Os GIF's já têm afectado o território, no entanto as mudanças sofridas nos últimos anos, ao nível do clima, do uso e da ocupação dos solos e as mudanças sócioeconómicas vão reflectir-se no potenciar da ocorrência deste tipo de incêndios.

A apresentação aborda os Grandes Incêndios Florestais, os quais são cada vez mais recorrentes, dando como exemplo o território português do Alto Minho. Como lidar com os GIF's? Esta é uma questão que nos obriga a repensar toda a política de prevenção e a formação dos nossos combatentes.


Aqui fica vídeo que demonstra um comportamento de um GIF, ocorrido no ano 2013 (21/09/2013), na Serra do Marão (Aboadela), cuja área ardida foi de 700 hectares (aprox) e que demonstra a importância da análise e monitorização meteorológica para a predição do comportamento do fogo.

Situação sinóptica observada 
A situação sinóptica observada permitia identificar o potencial de convectividade neste GIF como poderemos constatar no vídeo cedido pelo técnico do ICNF, Silvino Sousa (Coordenador de Prevenção Estrutural do Distrito do Porto).

quarta-feira, 10 de junho de 2015

GEO LYNX. Aplicação SIG de Geolocalização e para a Gestão de Emergências e de Incêndios Florestais

Postado por Emanuel Oliveira, 
em colaboração com Julien Baudet


http://geolynx.com.ar
Seguidamente, apresento uma ferramenta que com certeza será útil a todos aqueles que têm competências no combate aos incêndios florestais e na gestão da generalidade das operações de emergências. Sendo útil para quem coordena equipas de bombeiros, sapadores florestais, GIPS-GNR, AFOCELCA, serviços municipais de proteção civil e meios áereos.

Geo Lynx é um sistema de informação geográfica desenvolvido como uma aplicação web, com ferramentas especializadas para a gestão de emergências. Pode-se ter acesso a partir de qualquer dispositivo conectado à internet e com uma cobertura mundial. O objetivo essencial é facilitar e agilizar a tomada de decisão (antes, durante e depois de um incêndio ou sismo) graças ao uso de um conjunto de ferramentas tecnológicas.

Geo Lynx trata-se de um servidor web com controle de acesso, constituído por um front-end de mapas temáticos ou comerciais com a opção de rastrear todos os tipos de dispositivos GPRS, Radio VHF com APRS ou comunicações via satélite. O mesmo rastreio fica registado numa base de dados consultável.
Geolocalização com símbolos personalizados
As ferramentas de cálculo estão integradas à interface e a função no código converte automaticamente os pontos projetados da esfera ao plano. As bibliotecas Javascript disponibilizam arquivos vetoriais a partir de uma base de dados tipo sql.

Objetivos 


  • Que cada unidade/estrutura de combate aos incêndios florestais tenham à disposição um sistema integral
  • Que todos os organismos do Estado com competências no combate aos incêndios florestais e na gestão da generalidade das emergências tenham acesso global à ferramenta tecnológica e a uma base estatística detalhada e georeferenciada.

Meteorologia em tempo real com cobertura mundial

Características do Sistema


  1. Geolocalização num mapa interativo de elementos das equipas de combate e veículos operacionais através de todas as tecnologias existentes: smartphone, Radio VHF (APRS) ou comunicações via satélite.
  2. Função homem-caído para detetor automaticamente e alertar da queda de um combatente (smartphone)
  3. Ficha completa de cada combatente ou socorrista no caso de necessidade do próprio ser resgatado com: foto, nome complete, altura, peso, idade, género, grupo sanguíneo e historial medico.
  4. Ficha completa do veículo com: foto, tipo, marca, modelo, ano, capacidade do reservatório de água, patente, revisões.
  5. Localiza num mapa interativo todos os quartéis do país com o nome complete do seu comandante, telefone e as frequências de radio.
  6. Geolocaliza sismos em tempo real (atualizações minutais)
  7. Disponibiliza mapas de satélite comerciais ou de licença aberta: Google Map, Bing Map, Open Street Map
  8. Disponibiliza um mapa mundial com curvas de nível com equidistância de 20 metros
  9. Disponibiliza a rede viária mundial alterável e personalizada, permitindo a adição de novos acessos, novas ruas, ou caminhos
  10. Disponibiliza histórico consultável por data dos produtos do satélite MODIS (desde 2002): hotspots e áreas ardidas
  11. Ferramentas de cálculo de distâncias e de áreas sobre os referidos mapas
  12. Meteorologia em tempo real (nebulosidade e precipitações); útil para previsão de trovoadas ou catástrofes meteorológicas
  13. Permite carregar e baixar mapas temáticos georeferenciados (vetor e raster) do utente, por exemplo: mapa de ocupação do solo, carta de modelos de combustíveis, mapa de perigosidade, índice de risco diário de incêndio
  14. Simulador de propagação de incêndio para prevenir danos e antecipar operações de evacuação ou confinamento da população (desenvolvimento em curso)


Exemplos Práticos do Uso


  • Localizar em tempo real sobre um mapa interativo todos os veículos operacionais e meios aéreos em operação
  • Poder indicar o percurso mais curto até à frente de chamas
  • Comunicar aos combatentes no teatro de operações, o comprimento da frente de chamas ou o ponto de água mais próximo
  • Com base no mapa de combustíveis, prever a velocidade de uma frente de chamas e antecipar as operações


Trabalho Desenvolvido por:
Lic. Julien Baudet,
Geo Lynx Tel: (0054) 9 3544 532750
Mail: julien.baudet@gmail.com
URL: http://geolynx.com.ar

domingo, 22 de fevereiro de 2015

A problemática da Zona de Interface Urbano-Florestal face aos Incêndios

Por: Emanuel Oliveira
Publicado no Jornal VALE MAIS


N.º 38 # FEVEREIRO 2015

A alteração dos usos e da ocupação do solo associado a medidas de ordenamento urbanístico pouco sensíveis à segurança das populações em matéria da vulnerabilidade do território aos incêndios florestais têm vindo a produzir, ano após ano, o consequente aumento do risco.
Foto 1 - Incêndio em perda de alinhamento (flanco direito contra declive) aproximando-se aos aglomerados. Agosto 2013
Desde alguns anos que assistimos ao despovoamento do espaço rural, à perda de população nas aldeias do nosso território com o consequente abandono dos usos tradicionais do solo, tais como a pastorícia, o aproveitamento dos recursos florestais e o abandono dos campos de cultivo, o que levou nos últimos tempos ao aumento do espaço florestal. Este aumento acarreta por outro lado um incremento muito considerável da carga de combustível florestal que se traduz em vastas áreas cobertas de vegetação desordenada, cobrindo e interligando o espaço florestal ao espaço anteriormente agrícola e o espaço urbano. Tal situação permite reunir as condições necessárias a incêndios cada vez mais graves, dada a carga, a continuidade e disponibilidade do combustível. Igualmente, os meios e recursos concentrados na proteção dos aglomerados habitacionais e das moradias isoladas, permitem o aumento da extensão dos incêndios florestais no território, tornando o combate mais difícil e requerendo um aumento do dispositivo para controlo e extinção dos incêndios.

Esta situação normalmente agrava-se nos territórios mais montanhosos, onde é mais acentuado o despovoamento e o abandono dos usos tradicionais do solo e onde se registam importantes mudanças da ocupação do solo.
Foto 2 - O mesmo incêndio (cabeça) progredindo a favor do vento termina ao alcançar os campos de cultivo. Agosto 2013
Convém destacar a importância do pastoreio nestes territórios, não só pela manutenção da carga de vegetação pelos animais, mas também pelo uso do chamado “fogo de inverno” – queimadas - para melhoramento e renovação das pastagens, criando pequenas manchas na paisagem que permitem reduzir a carga e disponibilidade de combustível florestal, reduzindo a propagação de grandes incêndios florestais.

O abandono da gestão florestal por parte de uma grande maioria dos proprietários e gestores florestais, num território cuja propriedade privada caracteriza-se pelo microparcelamento, pouco atrativo do ponto de vista económico, tem levado ao aumento do desordenamento florestal, tornando o espaço muito vulnerável ao fogo.

Todo este conjunto de fatores, associado a uma meteorologia favorável a incêndios, permite a sua ocorrência que, no território do Alto Minho, sucedem ciclicamente, colocando em risco as zonas habitacionais, designadas tecnicamente por Zonas de Interface Urbano-Florestal - isto é a zona em que o espaço florestal entra em contacto com zonas edificadas. A expansão das Zonas de Interface constitui uma dinâmica territorial preocupante em relação com o problema dos incêndios florestais.

Apesar do aumento dos incêndios urbano-florestais não existe ainda uma consciência social por parte da população, nem uma preocupação política consistente sobre este tema, o que produz um marasmo legal e controverso na operacionalidade de medidas e ações concretas para fazer frente a um problema que se agrava anualmente.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O Fogo Controlado como ferramenta para reduzir os Incêndios Florestais

Por: Emanuel Oliveira
Publicado no Jornal VALE MAIS

N.º 35 # NOVEMBRO 2014

Praticamente, faltam dois meses para acabar o ano e cerca de 7 meses para entrarmos numa nova fase da tão mediática época de incêndios florestais. Passamos novamente um verão e já esquecemos os incêndios florestais, contudo a floresta continua e o risco de incêndio mantém-se, ou melhor, aumentou o seu potencial face a um incremento da carga de combustível.

Segundo o relatório provisório de incêndios florestais de 1 de janeiro a 30 de setembro de 2014, publicado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, apenas ocorreram neste ano, no Alto Minho cerca de 330 ocorrências, cuja área correspondente foi aproximadamente de 830 hectares, dados estes muito distantes das médias anuais verificadas no período de 2001 a 2013: cerca de 1550 ocorrências/ano e cerca de 9 000 hectares de área ardida anualmente no território. Sem dúvida alguma, as condições meteorológicas anómalas deste verão, com temperaturas abaixo do normal e a humidade elevada e o número de dias de precipitação registados, favoreceram a redução do número de incêndios, bem como limitaram a sua propagação, reduzindo a área ardida.
Ação de Fogo Controlado numa cumeada com faixa negra previamente executada.

O que isto significa?

Significa que face à reduzida área ardida verificada no ano corrente em relação à média distrital, implica que para o ano 2015 existe um aumento da carga de combustível derivada do aumento da vegetação viva e da acumulação de vegetação morta, o que por sua vez requer um esforço para a gestão destes combustíveis florestais com o fim de reduzir o risco inerente de incêndio florestal.

Os trabalhos de gestão de combustíveis florestais acarretam custos elevados, principalmente com recurso a meios mecanizados ou moto-manuais, praticamente incomportáveis face às reduzidas receitas obtidas da floresta. Por outro lado, se considerarmos o elevado potencial de regeneração dos matos no Alto Minho, em virtude das temperaturas amenas e da humidade disponível, os custos acrescem devido à necessidade de um aumento das acções de controlo dessa vegetação. É aqui que o Fogo Controlado ou também denominada queima prescrita, joga um papel fundamental na gestão dos combustíveis, permitindo em simultâneo à redução da carga e do seu potencial risco de incêndio, a renovação das pastagens, a fertilização dos solos e o controlo de espécies invasoras. A sua eficiência reside no seu efeito mais duradouro que o corte da vegetação, reduzindo igualmente os custos associados. O recurso ao fogo controlado não tem tantas limitações como o corte mecanizado ou moto-manual, o qual fica limitado ao relevo e ao tipo de solo, cuja dificuldade por vezes impede a utilização de maquinaria e requer um trabalho hercúleo de homens para a desmatação.

O fogo controlado consiste no uso planeado do fogo em condições ambientais favoráveis à satisfação dos objetivos de gestão previamente identificados, constituindo uma ferramenta muito eficiente quando utilizada eficazmente.
Ação nocturna de fogo controlado. A importância de aproveitar as melhores condições de prescrição exige uma elevada disponibilidade dos operacionais envolvidos, à semelhança do que ocorre no Período Crítico com as equipas de prevenção a incêndios florestais.

No âmbito territorial do Alto Minho, onde o risco de incêndio florestal é transversal a todos os concelhos, implica gerir e reduzir a carga de combustíveis florestais aos níveis naturais, sem a supressão do fogo, isto significa o recurso ao fogo controlado trabalhado a uma escala temporal dilatada e à escala espacial da paisagem, ao contrário de ações isoladas quer no tempo quer no espaço, atualmente levadas a cabo. O uso do fogo controlado, tal como ocorre nos EUA, Canadá ou Argentina, para ser eficaz e sobretudo eficiente, implica um trabalho planificado, rigoroso, sistemático para aproveitar as melhores condições ambientais e pessoal especializado e exclusivamente dedicado, não ficando refém de outras ações nem limitado ao tempo. Mais Fogo Controlado significa Menos Incêndios Florestais no Alto Minho!

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Ausência de verão determinante no “sucesso” da época de incêndios florestais!

Por: Emanuel Oliveira
Publicado no Jornal VALE MAIS

N.º 33 # SETEMBRO 2014

Já vamos a mais de metade da estação estival e o certo é que não temos sentido o verão e as suas características: temperaturas altas, humidade baixa, ausência ou redução considerável da precipitação e consequentemente, a perda da cor verde intensa da vegetação e a ocorrência de incêndios florestais.
Não tardarão as manifestações públicas e mediáticas das mais diversas estruturas e organismos, honrando os contratos e justificando a despesa de cerca de 80 milhões de euros gastos para este verão no combate aos incêndios florestais, atribuindo o êxito ao dispositivo empregue.


O certo é que o verão não existiu até ao momento e as condições meteorológicas irregulares registadas foram exclusivamente responsáveis pela redução ou ausência de incêndios – onde há água não há fogo!

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) o mês de julho foi o mais chuvoso deste século e o terceiro com a temperatura mais baixa. O IPMA através da publicação do Boletim Climatológico classificou o último mês de julho como muito chuvoso, sendo o oitavo mais chuvoso desde 1931 e o mais chuvoso deste século. No mesmo Boletim refere-se que o mês de julho, para além dos valores de precipitação superiores, se caracterizou por valores médios de temperatura média do ar inferiores ao normal.

No que se refere ao mês de agosto, a tendência face ao registo de temperaturas baixas para a época e humidade elevada parece manter-se, devido à persistência de uma circulação atmosférica anómala que conduz à redução de temperaturas, principalmente a Norte de Portugal.

Sendo assim, podemos dizer que a época de incêndios em pleno verão poderá estar a terminar praticamente sem ocorrências. Para um tempo meteorológico anómalo, uma época de incêndios anómala. Contudo cabe salientar que o ano não terminou e se a estação de verão foi anormal, as estações do outono e inverno, igualmente poderão ser excecionais!

CASO SE REGISTE UM OUTONO  E/OU INVERNO SECO QUE CENÁRIO  DE INCÊNDIOS SE PODE ESPERAR?

A 30 de setembro encerra-se a Fase de Perigo Charlie que marca a redução considerável de meios e recursos previstos na Diretiva Operacional Nacional para o ano de 2014 (Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais) tais como o encerramento da maioria dos postos de vigia, o fim do funcionamento das Equipas de Combate a Incêndios integradas nas corporações de bombeiros, a redução dos meios aéreos, ou seja baixa-se o nível de Perigo e reduz-se a capacidade de resposta face aos incêndios. No entanto, face ao inverno, primavera e verão de 2014, constata-se uma elevada carga de combustível determinada pelo elevado crescimento da vegetação, a qual irá morrer, secar e ficar disponível para arder. Por outro lado, o uso tradicional do fogo materializado pela queima de sobrantes resultantes da desmatação e restos de podas e as queimadas pastoris para a gestão de matos e pastos, vão ter um normal e esperado aumento logo a partir da primeira semana de outubro, podendo-se esperar o seu incremento, uma vez que não foi possível durante o rigoroso inverno e primavera de 2014 e no verão pelas condicionantes impostas pelo estabelecimento do Período Crítico.

Sendo assim, caso os últimos 3 meses deste ano sejam secos, associados à elevada carga de combustível agro-florestal e ao uso tradicional do fogo, os incêndios poderão ter maiores proporções face à perda de uma resposta capaz, pela redução da disponibilidade de combatentes, bem como dos meios de resposta, quer na prevenção quer na extinção.

Caso contrário, se os últimos meses se encontrarem dentro de condições normais, com a descida da temperatura e o aumento da precipitação a marcarem as estações, apenas teremos um adiamento do problema para o ano 2015 no que respeita à gestão dessa elevada carga de combustível florestal acumulada, o que implica um trabalho sistemático capaz que viabilize a sua redução efetiva mediante, principalmente, pelo uso do fogo técnico – Fogo Controlado.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Floresta e falhas de mercado

ALEXANDRA LEITÃO 
Fonte: Público
13/08/2014

A floresta tem uma função estruturante do território, não sendo ainda suficientemente reconhecida pela sociedade em geral como fornecedora de um conjunto importante de serviços ambientais, não refletidos pelo mercado, como sejam a proteção do solo contra a erosão, dos recursos hídricos, da biodiversidade e material genético que alberga e a fixação do carbono.

Existem ainda outros benefícios como a paisagem, o lazer e o turismo que lhe conferem um estatuto universal de bem natural que pode ser usufruído por todos. A floresta gera, assim, benefícios de que todos usufruímos e que não são remunerados. Esses benefícios mantêm-se externos na análise dos investimentos florestais. A sua cobrança torna-se inevitável (princípio do utilizador-pagador), questão que tem vindo a ser abordada com crescente frequência a nível europeu.

Para minimizar as dificuldades de financiamento do setor, em Portugal, uma parte do imposto sobre os produtos petrolíferos consumidos nos transportes é canalizado para o Fundo Florestal Permanente criado em 2004: €0,005/litro de gasolina e €0,0025/litro de gasóleo.

Os proprietários de áreas florestais, um pouco à semelhança dos que possuem terrenos em áreas protegidas, continuam a financiar os seus concidadãos pelo usufruto dos correspondentes serviços ambientais. Se a paisagem é protegida, não se pode (e bem) construir. Se a floresta é importante, não se pode (e bem) substituir por outra cultura. Na presença de bens públicos, a maioria, nada tendo contribuído para a sua obtenção, beneficia à custa de uns poucos (os free riders).

Falta, portanto, compensar os proprietários pelos serviços ambientais que o mercado não reflete. Esta seria uma forma de valorizar a floresta, pois se não se garantir rentabilidade aos proprietários, não se chegará a uma solução viável para toda a problemática que gira à volta da floresta, nomeadamente o flagelo dos incêndios.

A baixa rentabilidade associada a um excessivo peso da fragmentação da propriedade privada - 85% da propriedade florestal dispersa por mais de 400 mil pequenos proprietários sem tradição de associativismo, estando 55% da área florestal distribuída por povoamentos com menos de 10 hectares –, e uma maturidade de várias décadas, por si só, geram o desinteresse de proprietários e investidores. As externalidades negativas devidas aos incêndios e custos associados, desde a prevenção à rearborização, inviabilizam os proprietários de cuidar da área florestal que detêm, desde que implique despesas, que nem sequer são evidentes que se venham a traduzir na valorização do seu património.

Números da Comissão Europeia indicam que entre 2000 e 2010, a área ardida em Portugal foi 35% do conjunto dos cinco países do sul da Europa mais afetados pelos fogos florestais. Representa a maior parcela, apesar de Portugal ter apenas 6% da área florestal do grupo.

Números preocupantes, dados os benefícios ambientais da floresta e a importância da fileira florestal na economia nacional: representa 10% das exportações e 1,55% do PIB (2011); emprega 1,4% da população ativa nacional; é o terceiro setor mais relevante das exportações nacionais, com um valor acrescentado nacional por unidade exportada de 71,4%, superior à média nacional (59,3%); tem o valor acrescentado bruto por hectare de floresta mais elevado da UE27 (EUR 370/h); apresenta saldo comercial de 2,4 mil milhões de euros em 2013.


Professora da Faculdade de Economia e Gestão da Católica Porto

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A receita para reduzir os incêndios florestais

Por: Emanuel Oliveira
Publicado no Jornal VALE MAIS
N.º 32 # AGOSTO 2014

O mediático especialista em assuntos económicos e políticos, Francisco Sarsfield Cabral, num artigo na Rádio Renascença (30-08-2013), intitulado “Os Sábios e os Incêndios” declarava o seguinte: «Como desde há décadas tem acontecido, uma grande vaga de incêndios florestais suscita dezenas de opiniões sobre como resolver o assunto. Só que o excesso de fogos não se resolve repetindo receitas inexequíveis.»
Acção de Fogo Controlado
À primeira vista e de forma grosseira poderíamos em uníssono dizer que estamos completamente de acordo com tal afirmação. Contudo, se nos depararmos para meditar tranquilamente sobre o tema e procurando fazer uma retrospetiva dos incêndios florestais e dos momentos mais críticos que o país atravessou (2003-2005 e 2010, ou o ano 2013 em que 9 combatentes perderam vida), podemos simplesmente afirmar que o país remedeia-se sem seguir as receitas prescritas que ano após ano, técnicos de diversos organismos e estruturas têm alertado para a necessidade no cumprimento rigoroso das medidas a tomar, no entanto tais alertas parecem perder-se no esquecimento dos responsáveis, logo após a chamada (vergonhosa) de “época de incêndios”.

A receita há muito tempo que está prescrita e bem definida. Em 2006 foi apresentado o Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios (PNDFCI) e a Estratégia Nacional para as Florestas, pela Autoridade Florestal Nacional (hoje Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), cujos documentos e instrumentos de planeamento definiram as situações críticas da floresta nacional e identificaram as medidas a desenvolver, as metas concretas e as diretrizes para a redução dos incêndios florestais, contudo a maior parte continua em incumprimento por falta de operacionalização e de recursos financeiros, sendo estes reforçados anualmente no mediático dispositivo de combate em detrimento da Prevenção e da Gestão Florestal. Nestes documentos ficou definida para um período 5 anos (a partir de 2006) com toda a clareza, a necessidade do aumento do número de equipas de sapadores florestais e de equipas do Grupo de Análise e Uso do Fogo, a aposta no Fogo Controlado para a gestão dos combustíveis, a execução da Rede Primária, as faixas ao redor dos aglomerados populacionais, a fiscalização, entre outras muitas medidas. No entanto, as poucas ações realizadas foram residuais e pontuais, outras porém acabaram por ser anuladas apesar dos resultados positivos e outras não saíram do papel. Como diz o povo “não se fazem omeletes sem ovos”, principalmente quando não há vontade para se fazer.

O conceituado especialista americano (EUA), Mark Beighley, aquando da sua visita de trabalho para o PNDFCI, declarou em 2004 que «A verdadeira questão é a seguinte: qual o valor que Portugal atribui aos seus espaços rurais e florestais? Será suficiente para forçar as verdadeiras mudanças que poderiam estancar a continuada erosão da produtividade resultante dos danos crescentes provocados pelos incêndios?».

As mudanças necessárias para a proteção dos interesses económicos (agricultura, floresta, indústria, turismo), sociais que dependem direta ou indiretamente da conservação da floresta, implicam sobretudo uma alteração nas sucessivas políticas erradas e na consequente aplicação de recursos financeiros em ações concretas no âmbito da prevenção e da valorização económica da floresta portuguesa.

Ou seja, que fique claro, a receita para a redução dos incêndios florestais e da área ardida existe, é exequível e recomenda-se (mais uma vez), contudo Portugal tem preferido as vias alternativas sem qualquer prescrição e os cuidados paliativos, indiscutivelmente sem resultados. Insistir no erro ano após ano, não demonstra vontade de mudança!

domingo, 3 de agosto de 2014

Chave de Nuvens - Previsão do Comportamento do Fogo

O presente documento disponível para descarga resulta de uma adaptação do trabalho desenvolvido pelo Eng.º Florestal Raul Quilez, do Consorcio de Bomberos de Valencia, onde exerce funções de Técnico de Coordenação Florestal.

Este trabalho visa ajudar o combatente ou o técnico analista a classificar as nuvens e como elas nos podem auxiliar na previsão do comportamento do fogo esperado, quer num incêndio florestal quer numa acção de fogo controlado. As fontes/bases deste trabalho partiram dos seguintes organismos estatais dos Estados Unidos da América: National Oceanic and Atmospheric Administration, Central Alabama Fire Weather Support  e National Predictive Services Subcommittee (NPSS) - National Interagency Fire Center.

Face à sua importância, fica aqui disponível para descarga a versão adaptada em português.
 
 FAÇA O DOWNLOAD AQUI: https://app.box.com/s/qn03eki42xpdzaqbfjso

sábado, 2 de agosto de 2014

Proposta de um Modelo para Determinação do Índice de Risco de Incêndio Florestal


Desenvolvido e postado por:
Emanuel de Oliveira
Publicado no Blogue dos GTF's do Alto Minho
22/09/2012

Adaptação do Lowveld Fire Danger Rating System/Fire Danger Index de Laing & FDI de McArthur

O Modelo que seguidamente se apresenta é uma adaptação do modelo Fire Danger Rating System de Lowveld (LFDRS) amplamente utilizado na África do Sul.

O LFDRS da África do Sul é uma adaptação do Fire Danger Index (FDI) desenvolvido por Michael Laing no Zimbabwe (então Rodésia) em 1968 (Laing, 1978). O modelo básico utiliza as mesmas entradas que o modelo de McArthur, que são dimensionadas para produzir um modelo simples que pode determinar valores facilmente sem precisar de cálculos complexos. (McArthur 1958, 1967).

O cálculo do Burning Index (BI) usa um nomograma simples recorrendo aos valores da temperatura e da humidade relativa. Uma vez que o valor do BI foi obtido, ele é, então, ajustado para o vento pela adição de um Fator de Correcção de acordo com as condições (velocidade) de vento predominantes às 13:00 UTC (hora solar).
A disponibilidade de combustível fino é calculada por meio de um "Fator de Correção de Precipitação" que usa o valor da precipitação acumulada nas últimas 24h antecedentes para ajustar o BI.

Optei por adaptá-lo a Portugal, pelo que contei com a colaboração do colega Luis Matos (GTF de Melgaço), o qual tem vindo a recolher informação local e proceder a teste. A adaptação apenas incidiu numa pequena alteração sobre o Fator de Correcção da Precipitação e numa adaptação das Classes de Risco.
Enquanto no modelo original são atribuídos factores de correcção a valores de precipitação inferiores a 1,0 mm, no modelo adaptado consideramos atribuir o valor 1, em virtude de que pelas nossas observações a precipitação acumulada de 1 mm em 24 horas nos nossos combustíveis florestais praticamente não influi na ignição e na velocidade de propagação, bem como na intensidade. Esta influência é ainda menos marcante em combustíveis de 1h e de 10h, onde a humidade é perdida com mais facilidade, principalmente com valores tão reduzidos de precipitação. As classes de risco FDI (traduzido para IRIF) foram adaptadas à nossa meteorologia, isto é, aos nossos valores de temperatura e de humidade favoráveis à probabilidade de incêndios florestais.

Quando se pensou na adaptação deste modelo, pensou-se numa forma simples de determinação do risco de incêndio florestal à mão de qualquer combatente para a sua planificação das acções de prevenção, de modo a auxilia-lo sem grandes questões de ordem técnica ou científica, pois o que realmente interessa ao responsável por uma equipa de vigilância, 1ª intervenção ou combate, é conhecer o risco provável para as próximas horas. Igualmente, pode ser uma ferramenta muito útil para os responsáveis pelas Juntas de Freguesia, na informação do risco de incêndio à população rural, fora do Período Crítico, sobre as condições de segurança para a realização de queima de sobrantes.
A grande vantagem deste modelo está na sua simples interpretação com base numa planilha (ver link para descarga), facilitando a planificação da prevenção, pelo que face a esta vantagem tentamos adaptá-lo às condições meteorológicas do nosso território. Pode ser mais um instrumento importante para a apoiar a tomada de decisão em acções de prevenção, por qualquer pessoa com responsabilidades nestas matérias.
Apenas precisamos dos valores de uma simples estação meteorológica, referentes ao vento (km/h), à temperatura (ºC) e à humidade relativa do ar (%), bem como a precipitação acumulada (mm), caso se verifique. Para o cálculo do IRIF interessam-nos, preferencialmente, os valores registados às 13 UTC (hora solar).
Para além deste Risco de Incêndio, é conveniente ter particular atenção à direcção do vento, à hora (solar) e à exposição da encosta. Segundo as Curvas de Inflamabilidade de Campbell (CPSL) poderemos estimar o período de máxima inflamabilidade de uma dada encosta, onde um incêndio ocorrendo atingirá um pico de intensidade nessa mesma encosta, cuja mudança poderá levar a um aumento ou redução da intensidade no comportamento do fogo.

Saliento que se trata ainda de um modelo experimental, mas que até ao momento tem demonstrado alguma coerência, face aos testes levados agora a cabo pelos técnicos dos GTF’s do Alto Minho, elementos do GIPS da GNR e elementos das Corporações de Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira e de Valença. Porém, devemos continuar a fazer os testes e a validar os dados, pelo que fica aqui para descarga uma simples planilha que o auxiliará na determinação do Índice de Risco de Incêndio Florestal (IRIF).

Agradece-se pois que faça chegar os seus comentários, observações e sugestões para o e-mail: formacao.incendiosflorestais@gmail.com.

O USO DESTE MODELO NÃO SUBSTITUI O RISCO DE INCÊNDIO OFICIAL USADO NO NOSSO PAÍS (FWI), PUBLICADO DIARIAMENTE PELO INSTITUTO DE METEOROLOGIA.

Vamos então a um simples exemplo explicativo:

Segundo o site da METEOPT regista para o dia 22 de Agosto, às 12 UTC, em Viana do Castelo, os seguintes valores de:

Para sabermos o Índice de Risco de Incêndio Florestal (IRIF) procedemos da seguinte forma:

1. Estimar o Factor de Correcção da velocidade do vento, km/h
Para isso basta apoiar-se na seguinte tabela:
Ou seja, com base na tabela para um vento de 21 km/h obtemos uma correcção de 15.

2. Calcular o valor do Burning Index (BI)
No quadro de alinhamento, utilize uma régua e una o valor da temperatura ao valor da humidade relativa, pelo que obterá o valor do BI - Burning Index.

Pelo que obtemos o valor de BI de 33.

3. Estimar o Factor de Correcção da Precipitação, mm/24h
Como a precipitação acumulada nas últimas 24 horas foi inferior a 1 mm, vamos proceder agora à sua correcção com o auxílio do quadro abaixo.

Em virtude da ausência de precipitação o Factor de Correcção será de 1.

Sendo assim, procedemos então ao cálculo:
Burning Index (BI): 33
Factor de Correcção da Precipitação: 1 x 33 = 33
Some o Factor Vento: 15

Índice de Risco de Incêndio Florestal (IRIF): 48

O Índice de Risco de Incêndio Florestal é ALTO para Viana do Castelo para o dia 22 de Setembro de 2012.
Aqui fica para descarga, a planilha para estimar o Índice de Risco de Incêndio Florestal (em teste).

 DOWNLOAD AQUI: https://app.box.com/s/kvd0ry3a32pmz0niajc1