terça-feira, 25 de março de 2014

A Característica Ignífuga do EPI. Algodão Ignífugo ou Nomex?

Por: Emanuel de Oliveira

Para proteger da chama e do calor, tem sido desenvolvido nos últimos anos um grande esforço no sentido de garantir tecidos mais resistentes que confiram uma maior segurança dos combatentes. A investigação no sector industrial têxtil permitiu o desenvolvimento de produtos com propriedades ignífugas para serem aplicados nas fibras têxteis, sobretudo celulósicas. Igualmente, permitiu o desenvolvimento de novas fibras para os mais diversos fins.

Os tecidos podem ser confeccionados a partir de:

  1. Fibras Naturais - são as fibras retiradas da natureza, sendo as mais comuns o algodão, a lã, a seda, o linho e o cânhamo, etc.
  2. Fibras Artificiais - são produzidas pelo homem, porém utilizando como matéria-prima produtos da natureza, como a celulose, sendo as mais comuns a viscose, o acetato, o Lyocel e o Modal.
  3. Fibras Sintéticas - são fibras produzidas pelo homem usando como matéria-prima produtos químicos, da indústria petroquímica, sendo as mais conhecidas o poliéster, a poliamida, o acrílico, o polipropileno e o poliuretano (Elastano), as aramidas (Kevlar e Nomex) e as meta-aramidas (Kermel).

Demonstração dos materiais têxteis em relação à chama. (LCRESPIM,2009)
Os EPI’s de combate aos incêndios florestais que se comercializam são normalmente de dois tipos, de acordo com as fibras utilizadas na confecção, pelo que seguidamente serão comparados os tecidos mais utilizados (algodão e aramidas):

O chamado Algodão Ignífugo (Pyrovatex, BizFlame, Indura Algodão, etc) que apresenta resistência à chama e ao calor através da aplicação de produtos químicos ignífugos para as fibras de algodão. A resistência do tecido de algodão vai depender da qualidade e das propriedades dos diferentes produtos químicos aplicados, pois nem todos apresentam as mesmas características.

O Nomex é um produto da multinacional DuPont, sendo um tecido produzido à base de aramidas que são fibras com propriedades inerentes de resistência ao fogo, resistente ao ácido e outros materiais corrosivos e também possui uma grande estabilidade estrutural no qual não ocorre a transmissão do calor.

Em geral, quer o Algodão Ignífugo quer o Nomex cumprem ambos a sua função para a qual foram concebidos: fornecer proteção contra a chama e o calor.

O Algodão Ignífugo ao entrar em contacto com a chama, vai carbonizar e pode arder embora se auto-extingue, se a chama for retirada. Por sua vez, em contacto com a chama, o Nomex vai começar a mudar a cor de castanho a preto como resultado da carbonização nos primeiros segundos, estruturalmente o tecido vai manter o seu grau de integridade, contudo muita atenção pois pode sofrer-se de queimaduras devido à transferência de calor por radiação. Daí que quem proceda a ataque directo às chamas deverá guardar a distância de segurança, pois o Nomex pode contribuir para uma falsa sensação de segurança permitindo uma aproximação para além do limite da distância e do tempo de exposição.

As diferenças mais notáveis entre o Nomex e o Algodão Ignífugo encontram-se no seguinte:

  • O Nomex encolhe muito menos que o Algodão Ignífugo.
  • O Nomex mantém a sua aparência após a lavagem, enquanto o Algodão Ignífugo não (pois tem tendência a desbotar).
  • O Algodão Ignífugo enruga enquanto que o Nomex não.
  • O Nomex tem uma maior durabilidade, sem perder propriedades, do que o Algodão Ignífugo.
  • O Nomex apresenta uma maior transpirabilidade, seca mais rapidamente e é mais resistente à abrasão pela acção dos matos do que o Algodão Ignífugo.
  • O Nomex é mais caro que o Algodão Ignífugo.

ATENÇÃO: Ambos tecidos têm um tempo de durabilidade e as lavagens com detergentes podem encurtar o prazo de vida dos EPI’s, logo evite lavá-los constantemente e, principalmente com detergentes. Os EPI’s confeccionados com algodão ignífugo para além de perderem a cor, vão perder as propriedades ignífugas, tanto quanto mais lavagens for submetido.

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