segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Relatório Final sobre os GIF's e os acidentes mortais ocorridos em 2013. Conclusões e Recomendações

Relatório encomendado pelo Ministério da Administração Interna (MAI) ao Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais - ADAI/LAETA do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra, com o fim de apurar as causas que levaram aos acidentes que provocaram a morte a 9 bombeiros.
Seguidamente transcrevem-se literalmente as conclusões extraídas do Relatório Final sobre os Grandes Incêndios Florestais e os acidentes mortais ocorridos em 2013.

Conclusões e Recomendações

Mantem‐se a necessidade de incrementar as ações de prevenção estrutural, destinadas a construir e manter as faixas de gestão de combustíveis, a fim de tornar mais viável a tarefa de supressão dos grandes incêndios e para aumentar a segurança dos combatentes.

Impõe‐se melhorar a sensibilidade dos cidadãos para evitar ações de risco, nomeadamente trabalhos agrícolas, florestais ou outros e, muito em especial, o uso de fogo, em dias de risco elevado, a fim de se reduzir o número de ignições. É necessário agir no sentido de envolver mais a população na vigilância, proteção e autodefesa, dotando as pessoas com formação e recursos adequados a este fim.

Convém melhorar a integração e articulação de todas as entidades envolvidas no sistema nacional de defesa da floresta contra os incêndios, quer no âmbito nacional, quer no local, promovendo ações e medidas de interligação entre os recursos locais e os provenientes de outras áreas, para melhorar a eficácia das ações.

É necessário melhorar a formação dos Bombeiros em matérias relacionadas com o comportamento do fogo, em especial em situações extremas, para assegurar uma boa avaliação das condições de perigo e do cumprimento dos procedimentos de segurança, no combate ao fogo. No caso do combate em encostas ou desfiladeiros, recomenda‐se a adoção do protocolo CEIF que é proposto neste relatório.

Deve‐se cuidar o equipamento dos Bombeiros, não se poupando no seu preço, na sua qualidade ou na exigência das suas especificações. Deve‐se insistir em que os Bombeiros e outros agentes devem levar o fireshelter sempre consigo no TO. Deve fomentar‐se nas pessoas a ideia de que, em caso de emergência, não devem hesitar em abandonar os seus equipamentos, por muito valiosos que sejam.

Deve‐se melhorar as condições de prestação de socorro aos Bombeiros em situações críticas, como as que sucederam neste ano, por exemplo dotando as viaturas com meios de prestação de socorro ou distribuindo ambulâncias com capacidade todo‐o‐terreno.

A metodologia de uso do fogo como técnica de supressão deve ser revista. Consideramos que se deve ampliar a sua abrangência temporal e territorial, para assegurar que um número maior de pessoas tenha competências reconhecidas no uso do fogo para uma utilização mais oportuna. Deve além disso impor‐se uma maior disciplina nesta área da gestão dos incêndios florestais.

Deve fomentar‐se o melhor uso da previsão meteorológica à escala local. Deve melhorar‐se o planeamento da estratégia geral de combate incorporando elementos sobre a previsão do comportamento do fogo

Nas ações de combate deve cuidar‐se da vigilância e do rescaldo, empregando se necessário outros recursos para além dos que foram envolvidos no combate.

Deve‐se melhorar a coesão nas equipas de combate e o estabelecimento de uma linguagem de
comunicação verbal ou gestual inequívoca, que não ofereça dúvidas e a quem recebe a informação, sobre o procedimento a executar, sobretudo em caso de emergência.

Recomenda‐se a promoção de um programa Nacional, envolvendo diversas entidades operacionais, autarquias, empresas e a comunidade científica, para implementar soluções do problema dos incêndios florestais, de uma forma integrada e sustentada, por meio de ações de validação, demonstração e aplicação de medidas eficazes ou inovadoras de prevenção e segurança.


Relatório_Acidentes Mortais em GIFs 2013.pdf

0 comentários:

Enviar um comentário