domingo, 13 de outubro de 2013

Recomendações Operacionais para Combatentes

Preparando a Saída para a 1ª Intervenção
  • Há que estar em prontidão para uma ocorrência em qualquer momento. O veículo de combate tem que estar pronto e há que preparar previamente a alimentação, principalmente o aporte de líquidos (preferencialmente bebidas isotónicas ou água).
  • A actividade do incêndio florestal está muito relacionada com a humidade relativa baixa e a falta de recuperação da humidade nocturna. Podem-se consultar os dados de humidade através de sites relacionados com meteorologia (pessoalmente recorro a previsões do modelo americano GFS, através de meteogramas via: http://www.meteopt.com/previsao/meteogramas/gfs-portugal ou devido à proximidade da raia, recorrendo à base de dados das estações meteorológicas da Galiza, cujos valores são actualizados de 10 em 10 minutos: http://www2.meteogalicia.es/galego/observacion/estacions/estacions.asp)
  • A Regra básica do 30-30-30 é uma forma simples de recordar as condições ideais para um Grande Incêndio Florestal. Se a HR desce abaixo de 30%, a T sobe acima dos 30ºC e o vento supera os 30 km/h, as condições favorecem a propagação de incêndios florestais. Quanto mais baixa for a humidade relativa, maior probabilidade existe de que surjam focos secundários e a maiores distâncias.
  • Enviar comandos com formação e experiência em comportamento de fogo já na primeira intervenção. São de importância primordial para organizar o ataque inicial. O sistema de extinção em Portugal tem aumentado a sua eficácia na primeira intervenção, contudo tem demonstrado falhas na operação de remate – o rescaldo. Há que reforçar a capacidade de direcção desde o primeiro momento. Aproveitando a existência de técnicos de DFCI em cada município (GTF), seria essencial operacionalizar estes para o acompanhamento das acções, em virtude do conhecimento do território e do comportamento do fogo (técnicos de fogo controlado).
  • Em muitos dos pequenos incêndios, os meios aéreos são os primeiros a chegar e a avaliar a situação. Esta primeira informação é muito útil, no entanto é necessário sempre proceder à sua validação com o comando (COS), com o fim de assegurar que se cumpram as necessidades reais do incêndio. Por vezes deparamo-nos com situações em que para pequenas e simples ocorrências (rurais), dada a disponibilidade de meios, encontramos um exagero de meios que foram accionados e que na realidade não faziam falta para um simples ataque inicial. Por outro lado, existem situações que dadas as condições dos elementos do triângulo do comportamento do fogo, os meios accionados são terrivelmente insuficientes e que todo o esforço no ataque inicial será em vão, por falta de melhores recursos.
  • Todos os combatentes envolvidos no combate aos incêndios florestais teriam que conhecer na perfeição a linguagem CPSL (Campbel Prediction System Language). Pode-se avaliar o potencial do incêndio e começar a utilizar os dados de superfície potencial relativamente à área real afectada e avaliar a eficiência da intervenção. Estes dados podem ser pedidos aos técnicos de DFCI (GTF), já que é uma das funções de um técnico a avaliação potencial.
    Croqui de previsão do potencial do incêndio. E. Oliveira, 2011
  • Muito cuidado com os campos de cultivo abandonados próximos da floresta. Não são uma zona segura se não estiverem lavrados. A propagação é muito mais rápida que o fogo florestal já que costuma apresentar uma elevada carga de combustível fino. Recordar que as com herbáceas Modelo 3 (NFFS) têm capacidade para queimar com intensidade e velocidade alta, inclusive com valores elevados de humidade.
    Campos agrícolas com elevada acumulação de combustível fino morto.
  • Ao chegar ao incêndio deve-se proceder ao reconhecimento dos caminhos florestais (tipo) e identificar as zonas seguras (espaços amplos, campos agrícolas mantidos, etc.). No caso de encurralamento haverá que aceder rapidamente à zona de segurança. Importa, aplicar SEMPRE o Protocolo LACES.
    Ataque inicial a partir ancoragens seguras. Foto: E. Oliveira, 2013
  • Não confiar nos fogos sobre floresta regenerada por incêndios passados. As suas cargas de combustível são elevadas, bem como de combustível fino morto, podendo facilmente dar origem a velocidades de propagação e comprimentos de chama fora da capacidade de extinção. Para além disto, são zonas bastante espessas para que com chuvas de 30 mm/m2 se sequem em 5 a 10 dias.
  • Não se pode confiar na vegetação verde que apresente condições para arder. Se não se encontra material seco é difícil que possa gerar um GIF, mas pode complicar a extinção se houver a presença de vento forte ou existir uma carga de combustível seco por debaixo.
Vegetação verde (aparentemente húmida) e resultado do incêndio de Riba-Roja d’Ebre (22/08/2005) com combustão completa. Foto: GRAF
  • Nos incêndios pequenos ou médios, dentro da capacidade de extinção, interessa priorizar o ataque à cabeça com água e com o apoio de descargas dos meios aéreos, perpendiculares à propagação do fogo. Todas as frentes são lentas, mas a cabeça é intensa e pode avançar. Os flancos e a cauda, normalmente não constituem demasiado perigo. É a típica situação que nos cria os incêndios alongados, quando a cabeça e as linhas de defesa avançam à mesma velocidade.
  • No caso de um potencial GIF instala-se o Posto de Comando (PCO), com o objectivo de organizar, facilitar a informação sobre o incêndio e agilizar a distribuição dos meios que chegam sem conhecimento dos pontos onde se têm que posicionar.
Fonte: División Operativa GRAF - Generalitat de Catalunya
Adaptação: Emanuel Oliveira, 2013

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