sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Alto Minho em foco. Diminuição do número de incêndios com áreas superiores a 1 hectare - Meta Não Cumprida

Uma das metas mais mediáticas do Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, aprovado em 2006, é a diminuição de forma significativa, do número de incêndios com áreas superiores a 1 hectare, no entanto os dados refletem completamente o contrário.
Ocorrência em área rural.
Apesar de uma aparente oscilação do número total de ocorrências, podemos verificar pelo Gráfico 1 que a tendência no período entre 2005 e 2013 é de um progressivo aumento. Apenas se verificou uma considerável redução, abaixo das 1000 ocorrências no ano 2008, para nos anos seguintes continuar numa ascensão para valores próximos aos verificados em 2005, atingindo em 2011 as 2770 ocorrências, valores muito superiores à média do período desta análise que ronda as 1908 ocorrências.
Gráfico 1 - Evolução do número de ocorrências e da área ardida no período de 2005 a 2013 no Alto Minho.
Igualmente, o número de incêndios com áreas superiores a 1 hectare seguem a mesma tendência. O seguinte gráfico apresenta a evolução do número de ocorrências com áreas superiores a 1 hectare, bem como a linha de tendência linear que está a aumentar numa percentagem constante. Pelo que fica demonstrado que o contributo do Alto Minho para o cumprimento desta meta do PNDFCI é negativo.

Gráfico 2 - Evolução do número de ocorrências no período de 2005 a 2013 no Alto Minho.
Por outro lado, a análise dos dados das ocorrências por classes de extensão permitiu identificar que as ocorrências cuja extensão é inferior a 1 hectare, contribuem para o elevado aumento do número total de ocorrências em cerca de 76% e apenas contribui 1,5% para a média da área ardida por ano.

Gráfico 3 - Comparação do número de ocorrências com áreas inferiores e áreas superiores a 1 hectare
 no período de 2005 a 2013 no Alto Minho.
Observando ainda os dados referentes a estas ocorrências e dividindo-as em 2 classes:

  • Ocorrências com áreas inferiores a 0,1 hectares
  • Ocorrências com áreas superiores a 0,1 e inferiores a 1 hectare

Verifica-se que cerca de 54% do total de ocorrências são inferiores a 0,1 hectares, cuja média de área ardida por ocorrência no período de 2005 a 2013 é de cerca de 170 m2. Isto significa que a saída de meios e a abertura de ocorrência não se refere na maioria dos casos a situações de incêndio, mas de queimas de sobrantes, fumarolas em espaços urbanos e até mesmo churrasqueiras, para além de um significativo número de falsos alarmes que contribuem para o elevado número de ocorrências. Tais dados quando somados às demais ocorrências induzem em erro quando se pretende medir a eficácia da primeira intervenção, pois por esta razão na maioria dos países da Europa as ocorrências com áreas inferiores a 0,1 hectares não são consideradas.

No sentido prático, uma ocorrência com esta escala numa área florestal em plena época de incêndios e considerando o tempo de resposta do dispositivo, isto é desde a saída do quartel até ao local, raramente apresentaria uma área inferior a 0,1 hectares (1000 m2). Pelo que não se podem considerar estas ocorrências para avaliar o sucesso da 1ª intervenção.

As ocorrências com áreas superiores a 0,1 e inferiores a 1 hectare apenas contribuem uma média de 22% para o total de ocorrências por ano, apresentando uma média de área ardida por ocorrência de 1200 m2. Estas ocorrências contribuem em média para 1,4% da área ardida anualmente.

Se quisermos medir o sucesso da intervenção então teremos de analisar 46% das ocorrências registadas neste período, eliminando aquelas que são inferiores a 0,1 hectares (54%).
Gráfico 4 - Distribuição do número de ocorrências por classes de extensão no período de 2005 a 2013 no Alto Minho.
Os dados permitiram ainda identificar que as ocorrências que mais contribuem para a área ardida anualmente, são as ocorrências com áreas superiores a 100 hectares e inferiores a 1000 hectares, cerca de 45% do valor total de área ardida. Seguidas das ocorrências com áreas superiores a 1 000 hectares, as quais contribuem 25%. As ocorrências com áreas superiores a 10 hectares e inferiores a 100 hectares, contribuem cerca de 20%, enquanto que as ocorrências com áreas superiores a 1 hectare e inferiores a 10 hectares, contribuem 9%.

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